Cedro Textil reforça alerta sobre falsificação de tecidos resistentes à chama

25/03/2026
Infográfico sobre falsificação de tecidos. Fonte: Cedro Textil

A falsificação de tecidos utilizados na produção de equipamentos de proteção individual (EPIs) tem acendido um alerta na indústria têxtil brasileira. O problema, além de gerar prejuízos econômicos, representa um risco direto à segurança de trabalhadores que dependem dessas vestimentas em atividades de alto perigo, como as reguladas pela NR-10.

Segundo Leandro Vieira Coelho, gerente de Marketing Workwear da Cedro Textil, empresa participante do Texbrasil (Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira), uma parceria entre a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), a fraude começa ainda na origem da cadeia produtiva. 

“A falsificação começa em tecelagens que comercializam tecidos “resistentes à chama” de baixa qualidade, que não atendem às normas exigidas para a fabricação de vestimenta NR 10, um tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI). Esses tecidos não possuem Certificado de Aprovação (CA), pois nunca foram submetidos aos ensaios oficiais com esses materiais”, explica.

De acordo com o gerente, a prática mais comum ocorre quando fabricantes de NR 10 utilizam tecidos de baixa qualidade, mas aplicam etiquetas com número de CA legítimo, originalmente obtido com materiais certificados. Na prática, trata-se de um uso indevido de certificação, que induz o consumidor ao erro.

Identificação de produtos falsificados – A identificação de um tecido falsificado não é simples para o usuário comum. De acordo com Coelho, a principal forma de verificação está na marca d’água presente no verso do tecido original, que garante rastreabilidade e autenticidade. Sem essa identificação, em que consta o nome do tecido e da tecelagem, há indícios de irregularidade.

O problema se agrava porque, visualmente, a diferença entre um produto original e um falsificado pode ser imperceptível. “A diferença só pode ser observada no lado avesso da vestimenta, onde aparece a marca d’água que identifica o tecido original. Esse tecido deve ser o mesmo descrito no Certificado de Aprovação de Equipamento de Proteção Individual (Caepi)”, reforça Coelho.

Riscos para os funcionários e as empresas – O risco à integridade física dos trabalhadores é um dos principais fatores de preocupação acerca dos produtos fraudulentos. “Tecidos falsificados não atendem às normas de segurança, colocando em risco a integridade física dos trabalhadores que dependem dessa proteção”, diz o gerente de Marketing da Cedro Textil”.

Outro ponto levantado por Coelho diz respeito ao aumento da concorrência desleal, que afeta toda a cadeira produtiva, além da configuração de crime de falsificação. “A alteração do tecido cancela o C.A e a vestimenta deixa de ser um EPI, ficando a empresa exposta a ações trabalhistas”, acrescenta Coelho.

Para enfrentar o problema, a indústria tem investido em tecnologia e conscientização. “A Cedro aprimorou sua marca d’água, tornando-a mais nítida e resistente às lavagens. Assim, a autenticidade da vestimenta pode ser verificada durante toda sua vida útil. Além disso, a Cedro é a única que garante que a sua tecnologia FR (Flame Resistant – Resistente à Chama) permanece eficaz mesmo após repetidas lavagens”, afirma o gerente.

A recomendação da Cedro Textil é que engenheiros e técnicos de segurança realizem inspeções frequentes nas vestimentas utilizadas pelos trabalhadores. A empresa também desenvolveu materiais educativos para orientar o mercado sobre como identificar produtos autênticos.

Sobre a Cedro Textil

Com mais de 150 anos de mercado, a mineira Cedro Textil é uma das principais indústrias têxteis do Brasil, líder de mercado no país e na América Latina (na qual está presente em quase todos os países) e a única de capital aberto no setor. Sua carteira é composta por mais de 4 mil clientes e muitos deles compram da Companhia há mais de quatro décadas. Seu portfólio de produtos é dividido em duas linhas: Jeanswear e Workwear. Com escritório-sede em Belo Horizonte, a Companhia possui quatro fábricas em Minas Gerais: Sete Lagoas (tecidos).